domingo, 25 de dezembro de 2016

A Guernica de 2016


O balanço retrospectivo de VEJA sobre o ano mais longo de nossa vida, as quatro capas da revista e a simbologia desse estupendo manifesto de Picasso contra a barbárie



Pablo Picasso recebera a encomenda para pintar algo que a Espanha republicana pudesse expor na feira mundial de Paris que seria aberta em maio de 1937. Passavam-se os dias, as semanas, e Picasso trabalhava sem inspiração. Até que uma notícia dramática chegou: em plena guerra civil, a pedido dos nacionalistas espanhóis, a cidade basca de Guernica, no norte da Espanha, fora bombardeada por aviões alemães com o objetivo explícito de atingir a população civil. Aos poucos, a revelação da catástrofe espalhou-se e chocou o mundo. Picasso, escandalizado, encontrou seu tema para a exposição de Paris. Pôs-se a trabalhar imediatamente e não demorou a concluir Guernica, esse estupendo manifesto contra os horrores da guerra e a barbárie fascista.
Oitenta anos depois, VEJA foi ao mural de Picasso para buscar a inspiração da capa desta retrospectiva de 2016, este que parece ter sido o ano mais longo de nossa vida. Com essa ideia na cabeça, o diretor de arte da revista, Rafael Costa, encomendou ao ilustrador Eco Moliterno uma paródia de Guernica, povoada pelos personagens mais marcantes do ano. Em vez de cavalos, touros e mulheres chorosas em meio a um sofrimento excruciante, a ilustração traz o fim fulminante de Dilma Rousseff, o triunfo assustador de Donald Trump, a ascensão de Michel Temer, o desespero incontido de Eduardo Cunha, Luiz Inácio Lula da Silva e Anthony Garotinho — e uma lágrima no rosto de todos os que morreram no ano.
Guernica, pintada por Pablo Picasso em 1937

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