terça-feira, 7 de julho de 2020

BOLSONARO É PROVA DE QUE GOVERNOS DEVEM LEVAR VÍRUS A SÉRIO, DIZ OMS

 

O teste positivo de Jair Bolsonaro à covid-19 é usado na OMS como um alerta para que governos assumam a responsabilidade pela resposta à pandemia, que superem suas divisões políticas e que admitam suas vulnerabilidades. 

Durante a coletiva de imprensa da agência nesta terça-feira, em Genebra, a cúpula da entidade foi clara em reforçar a gravidade da crise. Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, insistiu que a situação no Brasil não é boa. "Precisamos ser sérios. Ninguém está seguro", disse.

Entre os especialistas da agência, não havia qualquer tipo de tom de "vingança" ao comentar a situação do presidente brasileiro que, por meses, insistiu que se tratava apenas de uma "gripezinha" ou "histeria". Para a OMS, seu discurso de minimizar a crise contribuiu para a proliferação de casos no Brasil.

Durante a coletiva de imprensa, porém, Michael Ryan, diretor de operações da OMS, fez questão de desejar saúde ao presidente. "Desejamos o melhor e completa recuperação dessa doença. Outros líderes tiveram essa experiência", disse. "Acho que (isso) mostra a realidade desse vírus. Ninguém é especial nesse aspecto. Todos estamos potencialmente expostos ao vírus e o vírus não sabe se somos príncipes ou pobres. Somos todos vulneráveis", afirmou. "O que mostra é nossa vulnerabilidade coletiva a essa doença", afirmou.

Segundo ele, o Brasil é uma "grande nação que enfrenta um enorme desafio em um momento difícil". "Os números se estabilizaram nos últimos dias", disse. Mas, segundo ele, sistema de saúde continua sob pressão, ainda que estejam lidando com a crise. "Em muitos casos, (o sistema de saúde) está quase em situação crítica. O Brasil enfrenta muitos desafios. Esperamos que o Brasil continue a dar resposta, no âmbito federal e estadual", disse.

Ele diz confiar que, se Brasil conseguir colocar toda comunidade junta, conseguirá superar a crise". "Mas a mensagem é de que todos somos vulnerável", insistiu.

 Tedros também desejou "rápida recuperação" ao presidente, que já o acusou no passado de falhar na resposta à pandemia. "Espero que os sintomas sejam suaves e que volte ao trabalho o mais rápido possível", disse o etíope, fazendo um gesto de diplomacia para tentar reconstruir relações com o Brasil.

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