No dia 15 de fevereiro de 2011, os índios da reserva Indígena Sete de Setembro, uma área de cerca de 250.000 mil hectares, habitada pelo povo Suruí /Paiter deu posse ao primeiro “Parlamento Suruí”, que é composto de dez membros. O povo Suruí (Paiter) que vivem na reserva e formam a nação Suruí, estão distribuído em 28 aldeias, onde cada uma tem um chefe. Só que apartir da posse do Parlamento, que se deu em 15/02, as decisões serão tomadas de comum acordo entre os membros desse Parlamento, que foi escolhido de forma democrática, através do voto.
As 28 aldeias foram transformadas em cinco zonas eleitorais, onde cada zona apresentou quatro candidatos e elegeu dois representantes. O Parlamento Suruí não é o poder maior da Nação Suruí Paiter, acima dele está o Cacique Almir Narayamoga Surui, como labiway-e-saga (Chefe Maior do Povo) A eleição dos labiway-ey (os representantes das aldeias) foi fiscalizada por uma comissão eleitoral composta por delegados de todos os clãs da tribo. As aldeias foram divididas em cinco zonas eleitorais. Hoje o povo Paiter Suruí é formado por cerca de 1.500 índios, incluindo as crianças.
As 28 aldeias da TI 7 de setembro elegeram o primeiro parlamento. Uma assembléia do povo Paiter, como eles se denominam, será integrada pelos labiway-ey que significa líderes, na língua tupi Mondé.
Indígenas a partir de 13 anos puderam votar e escolheram como seus representantes: Joaton, Manoel, Pedro, Pamadeli, Rafael, Chicoepab, Itabira, Tomé, Julio e Mariana a única mulher.O mandato é de quatro anos.
A eleição dos labiway-ey foi programada durante um congresso do povo Paiter Suruí realizado em novembro passado, do dia 10 a 12, na aldeia Lapetanha, para discutir a política interna do Povo, tendo como modelo a organização política dos não índios. Além de decidirem criar o Parlamento Paiter, para eleger seus novos representantes, os indígenas, foram convocados pelo Conselho dos Mais Velhos, composto por todos os clãs dos Paiter (Gameb, Kaban, Makor e Gamir), a referendar como labiway-e-saga (Chefe Maior do Povo) o tradicional líder Almir Narayamoga Surui.
Os Suruí estão preocupados com a perda dos costumes devido a aproximação de suas aldeias com a cidade de Cacoal. Varios deles se casaram com mulheres brancas. O próprio Almir Suruí se casou com duas não índias.Isso agora está proibido. Mas a missão maior do Parlamento, será o dever de desenvolver o diálogo entre os Suruí, para assim melhorar a implementação de projetos sociais, bem como a aplicação de recursos destinados aos habitantes da terra Suruí e a gerencia da unidade de conservação indígena.
Como definiu Almir Suruí, uma as principais funções do Parlamento Suruí, “será discutir com todo do povo Suruí a regulamentação e a gerência da Terra Indígena Sete de Sembro”.
Os Suruís já firmaram importantes parcerias com entidades privadas, como com a Google, por isso recebem recursos financeiros não estatais. Está sendo criado o Fundo Carbono Suruí, que tem como base o seqüestro de carbono e a comercialização de crédito de carbono, o que em um futuro próximo destinará recursos nacionais e estrangeiros para os índios.
Portanto, o Parlamento Suruí terá como finalidade ampliar o debate sobre o investimento desses recursos, de forma ampla, justa e igualitária entre os
A posse do Parlamento Suruí foi no último dia 15, e contou com a presença de vários representantes políticos locais, bem como a cobertura da imprensa nacional e internacional.
Para realizar a eleição, os Suruí buscaram inspiração nos mecanismos dos não-índios. Sendo assim, dividiram a Terra Indígena Sete de Setembro, que tem quase 250 mil hectares, em cinco zonas eleitorais. Em quatro zonas eleitorais ficaram inseridas cinco tribos e em uma ficou oito tribos. Cada zona eleitoral elegeu dois representantes, sendo que cada uma lançou quatro candidatos.
O voto Suruí foi “distrital”, ou seja, os índios que habitam na circunscrição de uma determinada zona, apenas puderam votar nos candidatos de sua respectiva área eleitoral.
O voto era facultativo para os maiores de treze anos. Um total de 738 índios exerceram sua cidadania indígena por meio do voto direto e universal, em que cada Suruí representou seus anseios políticos em igualdade, sem discriminação entre homens e mulheres.
A discussão sobre a criação do Parlamento Suruí começou em setembro de 2009, quando se iniciou o debate sobre como seria os mecanismos para a realização dessa eleição.
Os eleitos para compor o primeiro Parlamento Suruí foram: Joaton, Manoel, Pedro Kabetem, Pamadeli, Rafael, Chicoebab, Julio, Mariana, Itabira e Tomé.
Motivo de orgulho entre as mulheres Suruí, Mariana Suruí entrou para a história democrática de seu povo como a primeira “parlamentar” mulher a compor o colegiado representativo.
Eu, Dr. Joaquim e seu filho Joaquim Antônio estivemos la. Fomos com Leonice Tupari, índia do Parque Indígena Rio Branco que é casada com o índio Gasoda Suruí. Os dois se conheceram pela internet, casaram-se e hoje tem uma filhinha. Gasoda suruí foi responsável pelo cerimonial do evento, é formado em turismo e está se preparando para fazer mestrado.
O Cacique Almir Suruí já viajou por 38 paises. Na aldeia Lapetanha tem criação de bovinos, peixes e plantio de 600 mil covas de café. Tem energia eletrica, cozinha industrial, casas de alvenaria, banheiros com chuveiro e vaso sanitário, campo de futebol, tv e outras "cositas" do cotidiano dos ditos homens brancos.
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