
Ele é um “amigo” cruel,
dele nunca me desgarro:
sem querer, lhe sou fiel,
“me amarro” no meu cigarro.
Curto Bem Seu Paladar,
os vapores que desprende,
o sabor bom de tragar,
a chama que reacende.
Satisfaz bem a meu ego,
com ele reflito e penso,
a ele todo me entrego,
quando perturbado ou tenso.
Já avalio o precipício,
de onde posso resvalar,
ciente do malefício
que o fumo pode causar:
Fumando a gente se arrisca,
não há dúvida, é da lógica,
a uma dependência física
além da psicológica.
O cigarro é uma bomba
cujo efeito retardado
e o organismo é quem tomba
ao impacto petardo.
Concentrados na fumaça
há produtos venenosos,
causa de muita desgraça
em seus efeitos danosos.
Alcatrão, benzopireno,
nicotina, gás carbônico,
destes nocivos venenos,
não sei qual o mais satânico.
Provocam câncer de língua,
de lábio, boca e garganta,
de pulmão morre-se à míngua,
já proporção que espanta.
O pâncreas é poluído,
o estômago muito mais,
não raro tem ocorrido,
tumor de cordas vocais.
Chocante é a proporção,
que cresce, cada vez mais,
de infarto do coração
e de outros órgãos vitais.
Marcante é a repercussão
que afeta a fertilidade,
frustrando reprodução,
causando esterilidade.
Repila esta propaganda,
que cumula de louvores,
numa mentira nefanda
os ditos baixos teores.
Ao fim desta reflexão,
eu resumo o que foi dito,
entoando este refrão,
parodiando o bendito:
Se todo meu coração
será sempre de Jesus,
não vou doar meu pulmão
com espólio à “Souza Cruz”.
Se quiser, pode fumar,
não lhe posso proibir.
se por um câncer optar,
respeito seu decidir.
Fonte : Sebastião Aires
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