quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

TA NO RONDONIAOVIVO E EU TAVA LA







Índios Paiter Suruís elegem 1º parlamento indígena do Brasil, Almir Suruí é eleito Labiway

Quarta-Feira , 16 de Fevereiro de 2011 - 17:34



No dia 14 de fevereiro de 2011, tendo a Selva Amazônica como testemunha e a natureza como espectadora, os índios da Terra Indígena Sete de Setembro, habitada pelo povo Suruí (Paiter) realizou a primeira eleição para a formação do que se denominou “Parlamento Suruí”, que terá o dever de desenvolver o diálogo entre os Suruí, para assim melhorar a implementação de projetos sociais, bem como a aplicação de recursos destinados aos habitantes da terra Suruí e a gerencia da unidade de conservação indígena.
Como definiu Almir Suruí, uma as principais funções do Parlamento Suruí, “será discutir com todo do povo Suruí a regulamentação e a gerência da Terra Indígena Sete de Sembro”.
Os Suruís já firmaram importantes parcerias com entidades privadas, como com a Google, por isso recebem recursos financeiros não estatais. Está sendo criado o Fundo Carbono Suruí, que tem como base o seqüestro de carbono e a comercialização de crédito de carbono, o que em um futuro próximo destinará recursos nacionais e estrangeiros para os índios.
Portanto, o Parlamento Suruí terá como finalidade ampliar o debate sobre o investimento desses recursos, de forma ampla, justa e igualitária entre os habitantes da Terra Indígena Sete de Setembro.
A posse do Parlamento Suruí foi no último dia 15, e contou com a presença de vários representantes políticos locais, bem como a cobertura da imprensa nacional e internacional.
Para realizar a eleição, os Suruí buscaram inspiração nos mecanismos dos não-índios. Sendo assim, dividiram a Terra Indígena Sete de Setembro, que tem quase 250 mil hectares, em cinco zonas eleitorais. Em quatro zonas eleitorais ficaram inseridas cinco tribos e em uma ficou seis tribos. Cada zona eleitoral elegeu dois representantes, sendo que cada uma lançou quatro candidatos. O voto Suruí foi “distrital”, ou seja, os índios que habitam na circunscrição de uma determinada zona, apenas puderam votar nos candidatos de sua respectiva área eleitoral.
O voto era facultativo para os maiores de treze anos. Um total de 738 índios exerceram sua cidadania indígena por meio do voto direto e universal, em que cada Suruí representou seus anseios políticos em igualdade, sem discriminação entre homens e mulheres.
A discussão sobre a criação do Parlamento Suruí começou em setembro de 2009, quando se iniciou o debate sobre como seria os mecanismos para a realização dessa eleição.
Os eleitos para compor o primeiro Parlamento Suruí foram: Joaton, Manoel, Pedro Kabetem, Pamadeli, Rafael, Chicoebab, Julio, Mariana, Itabira e Tomé.
Motivo de orgulho entre as mulheres Suruí, Mariana Suruí entrou para a história democrática de seu povo como a primeira “parlamentar” mulher a compor o colegiado representativo.
Os Suruís, tendo Almir Suruí como seu principal representante, são reconhecidos internacionalmente pelo desenvolvimento da conscientização ambiental e desenvolvimento da denominada Política Verde, que consiste em trabalhar a floresta com respeito.

O Parlamento Suruí não é a maior instância do poder político dos Suruí, tendo acima dele o denominado Labiway, que atualmente é Almir Surí, e acima deste um conselho ancião, que é formado por 12 índios dos quatro principais clãs da Terra Indígena Sete de Setembro.

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