Burocracia ecologicamente inviável
Reunidos em Nairobi, Quênia, na semana passada, sob os auspícios da ONU, ministros do meio ambiente de mais de cem países concluíram que uma pletora de mais de 500 convenções ao longo das duas últimas décadas sobre os assuntos relacionados à saúde ecológica do planeta tem na verdade prejudicado a materialização políticas para o setor.
A burocracia verde se tornou espécie de erva daninha da agenda ecologicamente correta.
Os agentes públicos e especialistas indicaram que é preciso enxugamento profundo das instituições, acordos e protocolos para que haja rumo no que se chama de governança ambiental. Assunto que deverá ocupar a agenda da Conferência de Desenvolvimento Sustentável que se realizará no Rio de Janeiro em 2012, chamada Rio+12.
De acordo com matéria publicada pela AFP, a maçaroca institucional produzida entre 1992 e 2007 compreendeu 540 reuniões, que deram origem a 18 tratados internacionais que por sua vez geraram mais de cinco mil decisões. Volume que deixa ruborizada a nossa elite estatal fiel à tradição ibérica de cultivar a papelada.
Conforme disse um diplomata sobre a falta de efetividade de tanta burocracia, as convenções produzidas se reportam ao terceiro mundo, por isso são abundantes e ninguém que decide dá a mínima para o seu conteúdo.
Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)
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