Meu amor, de agressivo, fere e dói
na pele amada quanto mais amor.
Em si mesmo espinhoso, áspero, abraça
o abraço amado: o elo que corrói.
na pele amada quanto mais amor.
Em si mesmo espinhoso, áspero, abraça
o abraço amado: o elo que corrói.
Hostil amplexo, amor, sem dependência,
entre pelos carnívoros proclama
seu desdém, altivez - mas se entrelaça
em teus seios e coxas pela cama.
entre pelos carnívoros proclama
seu desdém, altivez - mas se entrelaça
em teus seios e coxas pela cama.
E de repente a queda, o corpo nu:
resfôlego revolto conquistando
cabelos, lábios, púbis, teus gemidos;
resfôlego revolto conquistando
cabelos, lábios, púbis, teus gemidos;
erguendo-se, construída em nosso olhar
uma chama sem termo e sem memória
- o amor transcende o corpo e nos devora.
uma chama sem termo e sem memória
- o amor transcende o corpo e nos devora.
Fernando Antônio de Mello e Silva Py (Rio de Janeiro, 1935) - Além de poeta, é tradutor e crítico literário. Publica livros de poemas desde o final dos anos sessenta e colaborou com vários jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Traduziu obras de Marcel Proust, Marguerite Duras, Saul Bellow, Balzac, Alexandre Dumas e muitos outros. Faz parte da Academia Petropolitana de Letras. Recentemente publicou "Confissão Geral" pela editora Ibis Libris, com sua obra completa.
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