quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Augusto dos Anjos

A ideia 



De onde ela vem? De que maneira bruta

Vem essa luz que sobre as nebulosas

Cai de incógnitas criptas misteriosas

Como as estalactites duma gruta?


Vem da psicogenética e alta luta

Do feixe de moléculas nervosas,

Que, em desintegrações maravilhosas

Delibera, e, depois, quer a executa!


Vdo encéfalo absconso que a constringe

Chega em seguida às cordas da laringe,

Tísica, tênue, mínima, raquítica...


Quebra a força centrípeta que a amarra

Mas, de repente, e quase morta, esbarra

No mulambo da língua paralítica!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Cruz do Espírito Santo, 20 de abril de 1884 — Leopoldina, 12 de novembro de 1914) - Foi poeta. Começou colaborando com o jornal O Comércio, onde publicou seus primeiros poemas. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Cidade do Recife. Publicou um único livro em vida, Eu, no ano de 1912. Após sua morte, é publicado o livro Eu e Outras Poesias, contendo alguns poemas inéditos. Considerado por muitos como um dos grande poetas brasileiros.