segunda-feira, 22 de junho de 2015

A vantagem de não delatar

 

A maioria dos que têm o que contar sobre corrupção e outros crimes nada contam. Porque eles passam a valer pelo que sabem. Se abrirem a boca não valerão mais nada
Ricardo Noblat
Perderam seu tempo as 30 pessoas que fizeram uma vigília, ontem à noite, em frente à sede da Odebrecht, em São Paulo.
Integrantes do movimento NasRuas, a intenção delas com o ato foi tentar convencer Marcelo Odebrecht, presidente da empresa e preso desde a última sexta-feira, a revelar os nomes dos políticos que se beneficiaram com o esquema de corrupção montado na Petrobras.
Raros são os delatores de fato. A maioria dos que têm o que contar sobre corrupção e outros crimes nada contam. Porque eles passam a valer pelo que sabem. Se abrirem a boca não valerão mais nada.
Enquanto guardarem silêncio haverá muita gente intercedendo por eles com medo de que falem.
José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do primeiro governo de Lula, acabou na cadeia, mas não contou o que sabe sobre o mensalão – o pagamento de propinas a deputados federais para que votassem como mandava o governo. Não contou por razões políticas.
Dirceu preferiu a prisão a ser apontado depois como o cara que destruiu Lula e seu governo.
Marcos Valério, um dos operadores do mensalão, confiou que Lula e sua turma o ajudariam a escapar das grades. Quando descobriu que não seria salvo, quis falar, mas já era tarde

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